
Julieta carrega uma bagagem de sonhos frustrados, mas mesmo assim os renova e nunca deixa de acreditar. Julieta presta atenção nas coisas que ninguém se importa. Ela nota o céu e suas cores que vão além de azul, branco e cinza. Julieta engole o choro e deixa pra chorar escondida trancafiada em seu quarto. Ela olha de soslaio pra quem deseja, pois não quer que notem sua presença. Ela quer ser vista, mas ao mesmo tempo se esconde.
Julieta não deixa que ninguém a conheça de verdade ou que se aproxime de uma forma íntima e carinhosa demais, mas reclama de solidão. Ela não entende as coisas, mas não faz como todo mundo que simplesmente decide "deixar pra lá". Ela tenta descobrir mesmo que isso custe sua sanidade. Ela muda de humor depressa, mas não é bipolar. Ela tem medo das pessoas e suas capacidades, mas não tem sociofobia. Pudera ela ter algo assim pra poder explicar o motivo de seu comportamento. Julieta fala sobre amor, mas a única coisa que sabe sobre isso, é que é uma palavra de quatro letras. Ela não deixa que ninguém perceba que as coisas não vão bem e sempre responde com um sorriso no rosto, mesmo quando sorrir dói. Ela sorri tanto que até parece-me patético. É clichê e muda facilmente de opinião, mas não se culpa por isso. Julieta sabe que tem coisas que ela nunca vai entender, mas nunca desiste de tentar. Ela ri quando fica nervosa e chora quando tem raiva. Vive num mundo só dela que ninguém tem permissão pra entrar. Precisa se apoiar em personagens para se entender. Ela fala demais, mas vive em silêncio. Julieta faz coisas pra tentar esquecer, mas só consegue se lembrar mais. Livros curam sua - imaginária - solidão. Sorri pra quem não conhece e desvia o olhar pra não precisar cumprimentar ninguém.
Ela finge muito bem. Finge não sentir. Finge não ter medo. Finge ser fria. Finge ser forte. E, mesmo que lentamente, ela vai se tornando o que finge ser.
Eu encontro um pouco de Julieta em mim quando me olho no espelho.
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